Foi o terceiro telefonema que recebi após a instalação da linha. Lembra-me bem porque era o terceiro dia da linha e nos outros dois dias anteriores eu recebera duas ligações, uma por dia, e ambas eram da minha mãe, desde Curitiba.
Assim que a campainha do aparelho soou, achei que era a minha mãe. Uma voz masculina. Meu primo Henrique. Fazia já seis meses que eu estava em São Paulo e, além de Arlete e Henrique, não tinha mais nenhum contacto. Arlete pouco saía de casa: quando saía, estava comigo. Quanto a Ricardo, estávamos reatando uma velha amizade de infância, então não tivera ainda oportunidade de conhecer seus amigos. Essa limitação de horizontes deixava-me um pouco limitado; não por solidão em si, mas por falta de novidades.
Puxei o telefone. Era Ricardo. Era sexta à noite; Arlete fora passar o fim-de-semana na casa da mãe; eu ficaria em casa, ouvindo música, escrevendo, dormindo. “O que você vai fazer agora…?”, perguntou Ricardo. “Eu? Nada… vou pôr uma música, fazer um rango simples e vou dormir…”; “Vamos lá, deixa de ser bundão, Rick… vamos jantar… conheço um lugar bacana e barato… depois, nós temos programa já… você vai gostar…”. Hesitei um pouco ao telefone. “Vamos lá”, prosseguiu Henrique, “você vai se arrepender se não vier… quando a gente estiver jantando, eu te conto do que se trata…”.
Conhecia razoavelmente os hábitos de Henrique. Ou era alguma noitada na casa de algum poeta bêbado que ele conhecia, ou era algum puteiro da rua Augusta. Eu estava em casa havia já algumas horas, estava descansado. Por que não? Tranquei tudo e pus-me a caminho do metrô.
Encontrei Henrique numa mesa do Violeta, na rua Augusta. “Pedi uma pizza com alho e muçarela… você gosta de alho?”. Sempre gostei. Conversamos do mais, dos acontecimentos da semana; ao mesmo tempo que queria saber o que Henrique planejava para a noite, evitava o assunto, dando ênfase a correções ortográficas, citações dos velhos acordos, puxando assunto sobre discos raros de rock. Adivinhava que desceríamos algumas quadras em direção ao Centro e ficaríamos em algum daqueles pardieiros.
Conversa vai, conversa vem; Henrique, de súbito: “Bem, chega de trela e vamos ao que interessa…”. Embora esperada a quebra, não pude deixar de sentir um arrepio.
“Vamos pagar a conta e vamos subir para a Paulista…”. Então o plano era outro. Pagamos a conta ao garçon mau humorado e fomos. Tomamos a Paulista e fomos a pé em direção do Paraíso, quase sem falar, ou trocando impressões diversas, sobre a placa de algum estabelecimento, sobre alguma silhueta mais curvilínea. Paramos diante de um prédio residencial, logo após a esquina da Brigadeiro. Henrique esfregou as mãos – estava frio – e apertou um botão do interfone. Logo o aparelho fez aquele claque característico e uma voz de mulher emitiu um longo “Siiiiiim?”; “Janice… somos nós…”; “Oi, Henrique… nós quem? Quem mais está aí com você?”; “É o meu primo… lembra?”; “É mesmo…”. O portão abriu-se num estalo e entramos.
“Ah, Rick, você vai ver que bacana…”- disse meu primo, vendo que eu não dizia nada. Subimos até o sétimo andar. Do elevador, já se via uma porta aberta, e uma fresta de luz na área escura. Henrique adiantou-se e à sua primeira passada, a luz acendeu-se; adiantou-se para porta. La dentro, uma moça morena e corpulenta… “Oi, Rique…”; Henrique interviu, voltando-se para mim: “Aqui eu sou Rique também… Janice, esse aqui é o meu primo, o Ricardo… la no Paraná a família chama ele de Rick também…”. Janice sorriu-nos e mostrou seus dentes impecáveis num sorriso luminoso. Parecia exultante.
“Vão ficar parados aí iguais a pedaços de pau…? Vamos entrando… sentem aí… a Aleja ligou e disse que já está chegando…”; “Aleja?”, perguntou Henrique. “Sim, Rique, a minha amiga mexicana… lembra dela? Te apresentei no dia da festa na casa do Gustavo… esta fazendo um intercâmbio…”. Nomes novos. Se bem que me fossem desconhecidos, traziam-me a vida por alguns instantes: Aleja, Gustavo; imaginava num relance suas feições e seus hábitos pregressos. Janice deixou-nos na sala e disse que ia passar um café. Henrique, que deveria ser habitué da casa, ligou a televisão e deixou no canal de esportes. Ficamos vendo a retransmissão de um jogo. Em alguns instantes, o cheiro de café dominava o apartamento. Janice nos trouxe algumas xícaras e Henrique ironizou: “Mas Janice, isso a gente bebe depois que enche a cara e não antes…”; Janice sorriu e respondeu: “Ah, fofucho, mas é só pra matar o tempo enquanto a Aleja não chega… visto que o seu primo é bem caladão… mas a Aleja é boa de conversa, logo deixa ele solto…”.
Fiquei um pouco envergonhado. Imerso nos meus pensamentos, não percebera que o silêncio vexatório reinava no apartamento. Sorri para Janice e desculpei-me: “É que estava com a cabeça em outro lugar…”; Ambos riram… “Não se preocupe”, disse Janice, “garanto que logo mais ela vai estar em perfeita ordem…” e deu uma ligeira gargalhada, acompanhada por Ricardo.
Daí, os três sentados no sofá da grande sala – era um apartamento antigo – começamos a engatar uma conversa mais animada. Janice disse o que fazia da vida: fazia mestrado e era professora de rede pública; pensei em que poderiam pensar os alunos com uma mulher daquela dentro da sala. Deveria ser protagonista de todos os sonhos onanistas do segundo grau inteiro.
Por minha vez, falei que havia sido transferido de Curitiba para os escritórios do Brás, da mesma editora. Ela nunca ouvira falar da Editora; de fato, era pequena e eu ainda era o responsável pelo seu ‘selo B’, de publicações adultas, que funcionava somente em São Paulo.
Nisso, tocou o interfone e Janice levantou-se para atender: “Oi? Sim? Aleja? Sim, só um minuto…”. Passou pela porta, deixando-a aberta e voltou-se para nós: “A Aleja já está subindo…”. Janice voltou para o sofá: “Agora, sim, Riques (esse plural engraçado), a gente pode começar pensar em beber… vou ver o que tem na geladeira…”. Enquanto Janice fuçava na geladeira, uma moça miúda pôs a cara pela porta: “Ôla…Djanice? Soy eu…”. Era Aleja.
Sentou-se ali conosco e logo veio Janice com copos e uma garrafa de vodca. Será que era aquilo que Ricardo programava: ficar a noite toda bebendo vodca? Ele estava mais propenso ao álcool do que eu imaginava. Conversamos bastante: Aleja, que era baixinha, mas de formas rotundas, contava o que fazia no seu intercâmbio:
“Estou terminando o que vocês tchamam de graduaçao (sem til mesmo, ela não fazia as nasais) en Estúdios Antropolôxicos… se ben que é com os povos mesoamericanos, hay un professor aqui na USP que trata ben con os teôricos que estou mexendo…”; depois, fomos bebendo e a coisa ficou menos tensa. Aleja estava do meu lado, ela tinha bem uns vinte, vinte e cinco centímetros menos que eu, ou seja, girava por volta dos 1,60. Era uma pessoa agradável e seu sotaque não era irritante… algumas palavras, chegava a pronunciá-las com perfeição, para tropeçar na pronúncia da seguinte.
Com o assunto mais descontraído, girando em torno de hábitos, de baladas, de livros lidos, de comentários de trechos e impressões, todos fomos nos soltando, com auxílio da vodca. Eu, que não era muito afeito à bebida, estava alto fazia tempo, mas me conservava sentado, apreciando o torpor provisto pelo álcool.
Por conta desse mesmo torpor, que agora me sufocava, levantei-me e fui até a janela… fiquei alguns instantes olhando para fora. Passava já da meia-noite e a avenida Paulista continuava com um movimento razoável e bastante gente na calçada. Quando voltei o rosto para onde estavam meus companheiros de tertúlia, Henrique dava um beijo cálido em Janice. Ah, então Janice era um dos rolos dele…
Eu continuava à janela e, por conta do meu estado de embriaguez, sentia-me parte da decoração, como um vaso, ou parte do papel de parede. Observava a cena sem sequer esboçar reação, como é próprio dos minerais. Consegui voltar a visão para Aleja, que parecia também não se importar com o beijo tórrido. De repente, Janice, que estava sobre Henrique, deixou-se escorregar-se e ficou com o rosto junto da braguilha da sua calça e começou a abri-la. Escarafunchou com a mão ali dentro e logo sacou o membro em riste. Sem o menor pundonor, abocanhou-o ali mesmo, na frente de dois espectadores.
Agora sim, deixei minha condição de inércia imaterial e senti o sangue quente sendo bombado do coração para todas as áreas do corpo. A surpresa reestabeleceu-me boa parte da sobriedade, mas continuei colado à parede e fazendo como quem estivesse olhando para fora. Janice sacou-se o membro da boca e disse para Henrique: “Eu sei do que você precisa…” Levanvou-se e foi à cozinha; voltou de lá com um dente de alho e uma faca. “Muito bem, moço, arria as calças…”. Ricardo prontamente arriou-as e pôs-se deitado de bruços no sofá. Janice descascou o dente de alho e cortou-o longitudinalmente pela metade. Sacou do bolso um lubrificante íntimo e com ele untou o meio dente de alho, o polegar e o indicador da mão direita. Provavelmente eu fizera cara de pasmo e Janice dirigiu-me a palavra: “É assim, eu introduzo o alho pelo… pelo cu (riu alto aqui) e a sensação de ardência, mantém o menino aqui da frente bem duro… ele consegue três sem muito descanso… anota que é um bom remédio caseiro…” e dizendo isso, Janice enfiou os dedos pelo ânus de Henrique, depositando ali o meio alho. Henrique sentou-se no sofá, meio reclinado e Janice deu cabo de suas calças que estavam nos calcanhares. Nisso, abriu agora as suas calças, abaixando-as um pouco e deixando ver magníficos glúteos. Com os joelhos no sofá e sobre Henrique, pegou-o pelos cabelos e esfregou seu rosto no baixo-ventre, soltando um gemidinho.
No meio disso, Janice voltou-se para nós, os expectadores, e disse: “Queridos, a casa é de vocês…”, e levantou-se, guiando Henrique pela mão até um quarto; sumiram-se por trás da porta que se fechou.
Achei aquilo engraçado, embora estivesse perplexo; teria que aguardar o meu primo consumar suas três relações… certamente ia algo até perto do amanhecer. Parece que senti a embriaguez retornando, lentamente, como uma sensação térmica. Dirigi-me à mesa de centro, onde repousava a terceira garrada de vodca que ainda tinha um resto. Ao pegar a garrafa, lembrei-me de Aleja, que estava ali, no mesmo canto do sofá, como se nada tivera acontecido.
Sinceramente, não sabia como dirigir-lhe a palavra depois de acontecimentos tão estranhos; ela, porém, estava exatamente como antes, sem pôr nem tirar, com a mesma expressão. Fiquei um pouco embaraçado e, lembrando da garrafa de vodca, disse-lhe: “A gente pode dividir… meio meu, meio seu…”. Aleja aceitou, estendendo-me o copo. Sentei-me no outro sofá…
Comecei a puxar conversa para tentar dissipar aquela atmosfera estranha que se instalara: “Bonita noite, não?”. E de fato era. Fazia frio, mas o céu mostrava-se limpo. Várias estrelas pontilhavam-no. “Sí, el cielo está muy hermoso… le pido desculpas, pero bebi un mucho y no tengo lengua suficiente para expresarme en portugués… ¿le molesta que yo hable en español?”; “Não, não me incomoda… espero que você também não se incomode em ouvir as respostas em português, porque não tenho espanhol suficiente para responder… bêbado então, menos ainda… “; de uma besteira tão grande, rimos. Ficamos conversando do mais e do menos, como estávamos antes, a ponto de eu ter me esquecido da cena que se passara havia pouco.
“Entonces, ¿trabajas en una editorial…? Mi hermano también…”
“É trabalho… sou revisor… mas a editora mexe mais com revistas e livros leves… nada muito elaborado… e você, de que parte do México é?”
“Soy del Estado de Quintana Roo, quase en Centroamerica… ¿conoces?”
Nunca tinha ouvido falar. Aleja falava baixo e mudei de sofá para ouvi-la melhor. Sentei-me mais perto de si, mantendo uma distância respeitável. Exatamente no momento em que me sentei, do quarto onde estavam Janice e Henrique, uma sequência longa de gemidos percorreu o espaço, como se Janice estivesse sendo transpassada…
“Ehe, parece que tú primo es un machote de los buenos, eh?”
“É, deve ser…”
Aleja aproximou-se mais: “Sabe, que aquí, estamos oyendo estos gritos… nosotros… ¿para que viniemos acá?”. Achei que ela queria sair: “Você quer sair, podemos ficar bebendo em outro bar… aqui na região tem vários que ficam aberto até o fim da noite…”
“No, no me interesa salir…”
“Então vou ver se tem mais bebida na geladeira…” – levantei-me e voltei com mais uma garrafa de vodca. “Al que parece, te gusta la vodca… ¿o no?”; “É, sim, um pouco…”; “Sí, bueno… pónme más una copa, por favor…”. Aleja virou o copo inteiro sem pestanejar; se eu tivesse feito aquilo, estaria com a cabeça pela janela, vomitando. Seu rosto ficou completamente afogueado e ela aproximou-se de mim: “Hum… tiene hermosos ojos verdes… amarillentos… me gusta…”; e de súbito, lambeu-me o rosto. “¿Que te parece, chico? Vámonos con más una copa?”. E virou mais um copo de vodca.
Sem que eu percebesse, ela montou sobre mim e fiquei frente a frente com seus grandes seios, proporcionais a seu tamanho. Jogava-se para frente, fazendo com que os seios acariciassem o meu rosto. Então era isso que Henrique planejava: foi-se com sua amiga colorida e deixou-me com Aleja. Aleja levantou-se: “Ven, hay una outra habitación para nosotros…” e guiou-me pela mão. Apagou a luz da sala e entramos pelas trevas de um corredor. Entramos em outro quarto, diante do que estavam Janice e Henrique.
No quarto, Aleja bateu a mão no interruptor acendeu a lâmpada mais fraca, o que deu uma meia luz que deixava as formas difusas. Empurrou-me na cama e, delicadamente, abriu minha braguilha, expondo um membro que lhe latejava na mão… “Hombre, mas que hermosa polla…” e abocanhou-a. Nunca uma mulher me havia feito sexo oral – Arlete não era chegada nessa modalidade -, e Aleja, pelo que pude depreender no momento, conhecia o riscado; punha-a quase toda para dentro da boca, cheguei a preocupar-se se não iria vomitar pelo tanto que bebera. Porém, depois de alguns instantes daquela sensação maravilhosa, abandonei-me em usufruí-la.
Aleja solta-se e diz: “¿Y tú, no me lo haces nada?”, virou-se, pondo-me o baixo-ventre ao alcance da boca, enquanto era reengatava a sua boca onde estava antes. Assim como não tinha recebido sexo oral, também não o fizera. Como descrever o gosto? Como as ostras que eu gostava de comer em Paranaguá? Só que um pouco mais condimentada; quente, muito quente e constantemente vinha um gosto ligeiramente travoso… fluidos vaginais; o clitóris tinha a sensação táctil – para a língua – de uma bolinha que estava ali engastada, como uma pérola em uma joia, um piercing.
Pelo jeito eu estava acertando com a língua, pois Aleja logo arfava: “¡Ahí, ahí! Bueno… ay, que bueno… no te pares… no te pares…”, dizia com a minha polla em sua boca. “¿Ay, que no me aguanto más! ¡Vamos a follar como se debe!”; livrou-se das roupas e um corpo compacto, mas graciosamente distirbuído apareceu-me à frente. “¿Te gusta…?”; coxas roliças, seios fartos, nádegas encantadoras e ligeiramente avermelhadas, cabelos longos e encaracolados (até então estavam presos). Deitou-se na cama, ao meu lado, dando-me as costas; conduziu a minha mão de modo que eu mantivesse sua perna erguida, o que abria caminho para a penetração daquela maneira, de costas: “Ahora, tú pónmela sin piedad… ¡toda y rápido!”. Não foi difícil: a estimulação pelo cunnilingus deixou a vagina totalmente lubrificada; pus-me um preservativo que a mão rápida de Aleja me passara e o membro passou sem a menor dificuldade, como um carro por uma estrada sem pedágios. A única resposta foi um “Aaaah…”.
“¡Sí, sí… así, métemela, rápido!” dizia Aleja entre suspiros profundos em um espanhol que nem em sonhos eu cogitava em ouvir. E assim ficamos por vários minutos; de súbito, Aleja parou de mover-se: “Ahora quiero otra cosa, sácate la polla de ahí y usa esto…”, passou-me o frasco de lubrificante íntimo que estava com Janice. Ficara na sala e, no escuro, quando deixamos a sala, Aleja pegou-o do chão.
Antes, levantou-se: “Me voy al baño – estávamos numa suíte – no te vayas de ahí…”; foi lavar-se. Voltou e ficou ma mesma posição, de costas… eu já sabia o que tinha de fazer e ergui já sua perna; mal encostei a glande nos grandes lábios e Aleja reagiu: “¡No, ahí no!”; será que eu a machucara?; “¿No te dé un frasco? Úsalo.”
Hesitei um pouco… “Mas, Aleixa… você quer que…?”; “Sí, tonto, pónmela ahora por el culo… te lo doy de premio… ¿o crees que me fui lavar para que?”. Untei os dedos com o lubrificante e massageei para que a musculatura da região ficasse mais relaxada. Pus um dedo; depois outro… Aleja soltava gemidinhos. “Perfecto… ahora, basta de dedos e pónme la polla. Ahora.” Untei-me o membro e, com a musculatura relaxada, deslizou a glande sem problemas.
Era outra coisa que eu nunca fizera. Um centímetro por vez. Aleja, com uma mão apertava uma nádega e com a outra se mastubava. “Esto… así, más… métela toda… ¡sí!”; e com um movimento de quadris, joguei toda a polla pelo orifício faminto. A informação que eu tinha até então era que às mulheres não lhes apatecia muito essa prática; que era uma em cem que gostava. Eu dera sorte, pelo jeito. A sensação era indescritível; a musculatura anal fazia muito mais pressão do que a pélvica e cada estocada suave era um estremecer tanto meu quanto dela. Comecei a pegar um ritmo mais forte e Aleja arquejava… sua mão que estava sobre o baixo ventre ficava cada vez mais operosa.
“¡Ay, que me vengo! ¡Me vengo!”; e eu também já estava prestes a chegar ao clímax; Aleja deu um grito seco seguido de suspiros enquanto continuava acariciando seu baixo-ventre; eu continuava investindo; ela virou-se para me dar um beijo quando veio inexorável o orgasmo, durante o beijo e com os dedos cravados nas suas delicadas nádegas. Foi algo intenso, de vários segundos nos quais absolutamente perdi a consciência.
Um baque jogou-me para trás, mas não me desencaixei de Aleja… estava num dia de sorte. O período de latência deixou-me na mão naquele dia e, alguns minutos depois, recomecei o trabalho… Aleja vibrava de prazer e sua mão agitava-se sobre o baixo ventre. Com movimentos lentos, consegui um segundo orgasmo; não tão vivaz como o primeiro, mas também muito intenso.
Agora, sim, desencaixei-me e pus-me de lado. Aleja voltou-se para mim e viu o preservativo preso ao pênis, com o fruto de dois orgasmos. “¡Hombre, quanta leche! Yo soy veramente merecedora de tanto esfuerzo?”; “Você valeu cada gota de suor, Aleixa… você é maravilhosa… é baixinha, mas tem um corpo que pede isso e muito mais… e obrigada pelo prêmio…”.
Deitados, conversamos ainda por mais uma hora e meia. Aleja perguntou-me sobre minha vida sexual pregressa e viu que eu não era tão experiente assim; ela, em compensação, já fizera bastante coisa e tinha toda uma lista de preferências. Inclusive por sexo anal. “Me gusta mucho… pero hay que saber hacerlo tanto la mujer como el hombre… si no, les duele a ambos…”. Dormimos.
No dia, seguinte, todos vestidos para o café, sem uma única palavra sobre o que aconteceu desde o momento de que Janice e Henrique deixaram a sala. Tomamos café e despedimo-nos. Agradeci a hospitalidade de Janice abraçando-a. Estávamos saindo os três, eu, Henrique e Aleja; eu e Henrique íamos para a direção da Consolação; Aleja ia para os lados o Paraíso. Abraçou-nos; a mim, deu-me um beijo e pôs-me um cartão não mão: seu endereço e seu telefone.
“Hasta breve, rico muchacho”. Até mais, Aleja.