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	<title>Hoy no me levanto yo</title>
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	<description>Que o mundo se exploda!</description>
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		<title>Hoy no me levanto yo</title>
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		<title>Cobertor</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Aug 2011 15:02:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rejewski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tenho um cobertor ao qual peguei um estranho amor. Não sabia exatamente o motivo, mas escarafunchando a memória, acabei por me lembrar. Foi um dia na praia, em Bertioga, estado de São Paulo. Descêramos ao litoral num feriado prolongado em &#8230; <a href="http://nomelevanto.wordpress.com/2011/08/04/cobertor/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=251&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://nomelevanto.files.wordpress.com/2011/08/gracil.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-252" title="gracil" src="http://nomelevanto.files.wordpress.com/2011/08/gracil.jpg?w=467&#038;h=700" alt="" width="467" height="700" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Tenho um cobertor ao qual peguei um estranho amor. Não sabia exatamente o motivo, mas escarafunchando a memória, acabei por me lembrar.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi um dia na praia, em Bertioga, estado de São Paulo. Descêramos ao litoral num feriado prolongado em dois casais. Na verdade, um casal mais dois avulsos; eu era um dos avulsos. A casa pertencia ao casal e nós dois outros, cada um amigo de um membro do casal, não nos conhecíamos.</p>
<p style="text-align:justify;">Agendáramos a ida à praia com certa antecedência e, justamente no feriado, chovia.</p>
<p style="text-align:justify;">“Que importa? Vamos descer assim mesmo!”</p>
<p style="text-align:justify;">Descemos. Chegamos e abrimos a casa. Aquele sempre presente cheiro de mofo que impregna as casas fechadas; fora caía uma chuva fina, daquela que na cidade de São Paulo pode ficar por dias e umedecer até a alma dos paulistanos. Aliás, sempre acreditei que os paulistanos têm a alma úmida por conta da vida no planalto.</p>
<p style="text-align:justify;">Tiramos as poucas malas e o tempo impedia qualquer excursão. Nos restavam filmes e jogos de tabuleiro. Foi isso das três da tarde às 11 da noite. Depois de jogos e um rio de cerveja, ninguém aguentava mais nada. O casal retirou-se ao seu quarto e na casa havia apenas um outro. Eu, sempre na veia do cavalheirismo, cedi o quarto à outra moça, como é o certo; ao que ela agradeceu e disse boa noite.</p>
<p style="text-align:justify;">Fiquei com o sofá da sala e com o barulho das gotas d’água que se desprendiam do telhado. A luz da rua entrava fraca por frestas; a umidade da chuva colava-se aos objetos. Essa é uma imagem de paz que tenho em todos esses anos; a sensação de ter deixado no planalto um pouco das minhas preocupações.</p>
<p style="text-align:justify;">Dali uns vinte minutos, meia hora, surge novamente a moça, que se chamava Gabriela. “Oi, Ricardo? Você já tá dormindo?” Ainda não estava, mas estava distraído com o ambiente. A Presença súbita dela me assustou um pouco, pois veio como um gato.</p>
<p style="text-align:justify;">“Não, ainda não.”</p>
<p style="text-align:justify;">“Estou sem sono… acho que vou fazer um lanche… quer alguma coisa?”</p>
<p style="text-align:justify;">Sentei-me no sofá. “Talvez uma cerveja…”</p>
<p style="text-align:justify;">“Hahaha! Estou comendo justamente para ver se espanto o álcool…”</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Voltou da cozinha com um sanduíche e uma cerveja. Sentou-se no sofá e cobriu as pernas com o cobertor; começamos a conversar um pouco mais, pois no carro, havíamos ficado apenas nas amenidades e nas piadas.</p>
<p style="text-align:justify;">Contou-me que estava chateada: acabara de sair de um relacionamento de três anos com um homem de que gostava, mas que era ciumento; tinham problemas de gênio. Gabriela estava desgastada, sentia um alívio tristonho. Contou-me como se conheceram, como namoraram, disse também que foi o primeiro homem ao qual se entregou. Chorou um pouco, mas ao cabo de uma hora parecia mais aliviada. Era daquelas mulheres que precisam contar o que as oprime para que se sintam livres.</p>
<p style="text-align:justify;">Por fim, perguntou de mim e contei o que pude. Não havia muito: contei sobre Arlete, mas com um certo pudor. Nunca se sabe como reagem as pessoas aos ditos relacionamentos abertos. Gabriela sorriu.</p>
<p style="text-align:justify;">Era já o meio da madrugada, parecia que estava ainda mais frio e úmido. Tonta de sono, enrolou-se no meu cobertor e disse tchau, até amanhã, e levantou-se para o quarto. Gabriela tinha o corpo como a alma, de uma delicadeza que eu jamais havia visto. Não era dessas que têm as curvas violentas e arredondadas e que tanto apraz aos homens. Era delgada, seios pequenos e bundinha cujas polpas cabiam nu’a mão grande. O cobertor marcara-lhe as formas gráceis.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela levou o meu cobertor; ainda estava um pouco bêbada. Por sorte, o sofá no qual eu dormia era um daqueles que têm baú e ali havia um cobertor puído e com cheiro de umidade. Chacoalhei-o e cobri-me; dormi como um rei.</p>
<p style="text-align:justify;">Jamais aquela imagem saiu-me da cabeça, jamais. Passamos um bom fim de semana. Mantive contato com ela por um bom tempo, até ela reatar com o brucutu. Parece que se casaram, mas que já se separaram, coisa de ano e meio, soube por um amigo comum. Gabriela, você ainda tem o meu e-mail, escreva-me.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nomelevanto.wordpress.com/251/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nomelevanto.wordpress.com/251/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nomelevanto.wordpress.com/251/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nomelevanto.wordpress.com/251/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nomelevanto.wordpress.com/251/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nomelevanto.wordpress.com/251/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nomelevanto.wordpress.com/251/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nomelevanto.wordpress.com/251/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nomelevanto.wordpress.com/251/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nomelevanto.wordpress.com/251/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nomelevanto.wordpress.com/251/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nomelevanto.wordpress.com/251/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nomelevanto.wordpress.com/251/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nomelevanto.wordpress.com/251/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=251&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>“Meu papagaio não quer comer ovos fritos”</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jun 2011 18:19:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rejewski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Está um pouco estranha a vida na cidade nova. Os amigos estão longe e tomar cerveja sozinho é coisa da bêbado. Sozinho, só se bebe em casa. Através do copo de martíni, a solidão rosada dos bêbados que se divertem &#8230; <a href="http://nomelevanto.wordpress.com/2011/06/08/%e2%80%9cmeu-papagaio-nao-quer-comer-ovos-fritos%e2%80%9d/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=248&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Está um pouco estranha a vida na cidade nova. Os amigos estão longe e tomar cerveja sozinho é coisa da bêbado. Sozinho, só se bebe em casa. Através do copo de martíni, a solidão rosada dos bêbados que se divertem com a sucessão de programas imbecis na televisão. O clarão cego que bate nos móveis como uma luz sideral: a fogueira de chama pálida.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nomelevanto.wordpress.com/248/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nomelevanto.wordpress.com/248/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nomelevanto.wordpress.com/248/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nomelevanto.wordpress.com/248/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nomelevanto.wordpress.com/248/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nomelevanto.wordpress.com/248/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nomelevanto.wordpress.com/248/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nomelevanto.wordpress.com/248/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nomelevanto.wordpress.com/248/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nomelevanto.wordpress.com/248/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nomelevanto.wordpress.com/248/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nomelevanto.wordpress.com/248/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nomelevanto.wordpress.com/248/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nomelevanto.wordpress.com/248/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=248&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pornografia cansa</title>
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		<pubDate>Thu, 05 May 2011 01:50:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rejewski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pornografia cansa. Até pornografia cansa. Os neotarados, essa geração maluca de adolescentes já a conhece há tempos. Quando chegam aos dezenove, vinte anos, já estão cansados de pornografia convencional. Aí entra a indústria da bizarrice: anal giratório, chuva de mijo, &#8230; <a href="http://nomelevanto.wordpress.com/2011/05/05/pornografia-cansa/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=244&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://nomelevanto.files.wordpress.com/2011/05/biz.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-245" title="biz" src="http://nomelevanto.files.wordpress.com/2011/05/biz.jpg?w=640&#038;h=501" alt="" width="640" height="501" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Pornografia cansa. Até pornografia cansa. Os neotarados, essa geração maluca de adolescentes já a conhece há tempos. Quando chegam aos dezenove, vinte anos, já estão cansados de pornografia convencional. Aí entra a indústria da bizarrice: anal giratório, chuva de mijo, esporradas na cara e outras imbecilidades.</p>
<p style="text-align:justify;">Dias desses, recebi um <em>link</em> do meu sobrinho, para um desses <em>blogs</em> ou <em>fotoblogs</em> do Tumblr. Há centenas (milhares?) de páginas do Tumblr dedicadas à pornografia, tanto à boa e velha, quanto à pornobizarrice. O link de uma dessas páginas era o de uma postagem com um vídeo de 90 minutos. Raridade nesses dias em que tudo precisa de senha, é pago ou está em <em>torrents</em>. Um bom filminho de putaria ao alcance de um clique. Quando é assim, quem não quer?</p>
<p style="text-align:justify;">Comecei a ver o dito cujo. Filme americano. Sabe, algumas coisas estão muito erradas. A primeira cena, uma loira peituda com um ator meio decadente (ou, pelo menos, meio velhão) e era o fetiche generalizado: anal.</p>
<p style="text-align:justify;">O homem punha e tirava o pau do orifício da loira sem o menor trabalho. Oras, sabe-se muito bem que cu dá um certo trabalho para comer e não teria a menor graça se fosse tão facilmente penetrado, como uma bola de bilhar caindo na caçapa. Mal começava e o cara já caía no lugar-comum da velocidade e das bombadas violentas, dos urros e dos gritos. Sem a menor graça.</p>
<p style="text-align:justify;">Mesmo que a atriz seja lasseada, é preciso demonstrar um pouco de teatralidade na coisa, de dramaticidade. Fingir que não está entrando na primeira; dar umas cusparadas adicionais. Não entrar liso como um porco congelado escorregando por uma rampa!</p>
<p style="text-align:justify;">Acho que o filme todo era composto de seis cenas, todas com casais diferentes. Não há mais anal a não ser essa primeira cena. Mas bastou. Chega.</p>
<p style="text-align:justify;">Outra coisa que tinha de ser deixada de lado é o <em>orgasmo externo</em>, ou seja, quando o homem bate punheta para que o sêmen caia na cara ou nos seios da atriz. E assim mesmo a atriz continua urrando e gemendo como se estivesse sendo currada por um rinoceronte. Cansa, esse tipo de pataquada cansa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nomelevanto.wordpress.com/244/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nomelevanto.wordpress.com/244/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nomelevanto.wordpress.com/244/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nomelevanto.wordpress.com/244/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nomelevanto.wordpress.com/244/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nomelevanto.wordpress.com/244/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nomelevanto.wordpress.com/244/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nomelevanto.wordpress.com/244/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nomelevanto.wordpress.com/244/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nomelevanto.wordpress.com/244/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nomelevanto.wordpress.com/244/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nomelevanto.wordpress.com/244/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nomelevanto.wordpress.com/244/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nomelevanto.wordpress.com/244/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=244&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Batendo palmas</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Mar 2011 19:59:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rejewski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nestes dias de calmaria, em que minhas saídas limitam-se ao nada por conta da perna quebrada, aconteceu-me observar um cena muito curiosa, ocorrida aqui mesmo, na sala do meu caótico apartamento. Domingo de manhã. O telefone tocou. Era cedo e &#8230; <a href="http://nomelevanto.wordpress.com/2011/03/30/batendo-palmas/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=240&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Nestes dias de calmaria, em que minhas saídas limitam-se ao nada por conta da perna quebrada, aconteceu-me observar um cena muito curiosa, ocorrida aqui mesmo, na sala do meu caótico apartamento.</p>
<p style="text-align:justify;">Domingo de manhã. O telefone tocou. Era cedo e não era, porque eu ainda dormia. Atendi com a voz pegajosa de sono. Era um grande amigo meu, de São Paulo; soube do meu acidente e queria vir visitar-me. Ora, é claro, estou precisando mesmo de um pouco de normalidade, de conversa despretensiosa, venha sim. Perguntou se podia trazer a namorada; sim pode, não tem o menor problema, apenas traga cá uns acepipes e umas cervejas pois não posso andar. Está feito, ele vem na segunda de manhã, pois era sua folga.</p>
<p style="text-align:justify;">Segunda levantei-me mais cedo para não atender a porta com a cara inchada. Arrastava-me ao banheiro para escovar os dentes quando o celular tocou, era o Guilherme, o meu amigo. Disse que está saindo já de São Paulo e perguntou se tinha problema em levar a prima da namorada que estava com ela; não, Guilherme, não tem problema. Apenas traga mais cerveja e mais salgadinho. A casa ia ficar cheia; pelo espaço exíguo aqui, poucos bastam para ter-se aquela impressão de ônibus cheio… mas é um ônibus com cerveja e salgadinho.</p>
<p style="text-align:justify;">Aproveitei o tempo que ainda tinha para ajustar uns trabalhinhos que estava finalizando e ver um pouco de televisão. Comecei a cochilar quando o zumbido do interfone cortou as paredes. Era o Guilherme. Pode, pode deixar subir, por favor.</p>
<p style="text-align:justify;">Apoiando-me às paredes, cheguei à porta e abri: lá estavam todos. Oi, como vai! Mas que porra você fez nessa perna? Caí. Essa é a Marlene, a minha namorada, a gente se conheceu numa excursão ao pico do Jaraguá.</p>
<p style="text-align:justify;">Marlene tinha cara daquelas deslumbradas. Era carola até anteontem, quando a mãe forçava-a a ir à missa e, de súbito, saiu trepando adoidado. Era bonita, mas algo ali dizia tudo isso. Ademais, era muito simpática.</p>
<p style="text-align:justify;">Atrás dela, a prima. Essa, Ricardo, é a Luciana, prima da Marlene.</p>
<p style="text-align:justify;">Tinham a mesma estatura e pareciam-se nos traços de rosto, mas pela simples postura, entendia-se que Luciana era muito mais mulher. Terminados cumprimentos e primeiras impressões, fomos para a sala e instalamo-nos no sofá.</p>
<p style="text-align:justify;">Guilherme também apresentou a cerveja e os salgadinhos. Continuava a trabalhar no banco. Marlene era colaboradora ativa de uma empresa, o que quer que possa ser isso. Luciana terminava a faculdade e trabalhava num escritório de advocacia.</p>
<p style="text-align:justify;">Esse meu amigo, apesar dos empregos medianos, sempre o tive como um cara muito inteligente, daquela inteligência que não serve para nada, cheia de senso crítico. Era leitor dos grandes filósofos. Após algumas cervejas, Guilherme pôs em marcha seu discurso filosófico, sua visão de mundo, seu pensamento polêmico sobre as instituições. Notava-se a franca cara de tacho da namorada que, diga-se de passagem, sequer bebia cerveja. A prima, ao contrário, parecia vivamente interessada nas palavras do Guilherme. À vista franca Marlene murchou, transformando-se num trapo conceitual; o interesse de Luciana, ao contrário, parecia torná-la mais bela, deixava-a com a carnação mais rija. Seios, coxas e púbis marcaram-se sobre a roupa comum, porém elegante.</p>
<p style="text-align:justify;">Cansada do que considerava certamente papo-furado, Marlene levantou-se e foi para a varanda, apreciar o mar. Vista ali, parecia a silhueta de uma freira velhinha, cheia de remorsos pela juventude perdida.</p>
<p style="text-align:justify;">Guilherme continuava falando. Habilmente enganchava Platão, Aristóteles, Weber e a situação política atual e concepções de Estado. Luciana, como se fosse a própria musa que inspirasse toda aquela grandiloquência, olhava satisfeita, devidamente sentada no sofá, de pernas cruzadas, mas seus olhos pareciam o de uma mulher que acabara de ter um orgasmo.</p>
<p style="text-align:justify;">E assim o monólogo de Guilherme, com algumas intervenções minhas e de Luciana correu por boa parte do dia. Marlene não aguentava ficar sentada conosco por mais de quinze minutos. Levantava-se, voltava para a varanda; ou perguntava-me se podia pegar água por conta da sede.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de várias horas, o trio resolveu que era hora de ir. Marlene mal ocultava um certo alívio: eu me transformara no amigo chato que acompanha seu namorado no papo furado. Luciana levantou-se do sofá como se tivesse acabado de acordar, um olhar límpido brilhava no seu rosto, as roupas marcavam suas formas belas antes um pouco ocultas ou não percebidas. Despedidas.</p>
<p style="text-align:justify;">Das duas, uma: ou Guilherme vai largar Marlene e ficar com a prima, ou vai comer a prima sem largar de Marlene. Ali, naquela sala, na minha presença, a atração intelectual virou sexual e da mais primitiva. Parecia que os feromônios estavam em nuvem no ar da sala. Era certo que a bucetinha da Luciana estava lá, apenas tramando. Batendo palmas.</p>
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	</item>
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		<title>Mirna &#8211; parte 1</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Mar 2011 17:30:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rejewski</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[efemérides]]></category>
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		<category><![CDATA[filosofia barata]]></category>
		<category><![CDATA[guerra contra o terror]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu não fui um adolescente tímido. Sempre que havia alguma pecinha a ser representada ou se havia a necessidade de ler em público lá estava o chato do Ricardo; mas com relação às meninas a coisa era um pouco diferente. &#8230; <a href="http://nomelevanto.wordpress.com/2011/03/25/mirna-parte-1/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=237&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p id="internal-source-marker_0.5390898685436696" style="text-align:justify;">Eu não fui um adolescente tímido. Sempre que havia alguma pecinha a ser representada ou se havia a necessidade de ler em público lá estava o chato do Ricardo; mas com relação às meninas a coisa era um pouco diferente. Tinha uma pontinha de timidez &#8211; que não chegava a ser um empecilho; mas o que realmente me tolhia arrumar uma namorada ou ficante era a preguiça; a pontinha de preguiça era somente a aresta de um iceberg. Via meus amigos ficarem meses seguindo as minhas colegas de escola com galanteios vagabundos até conseguir uma sessão de beijinhos atrás de algum canto mais escuro da escola.</p>
<p style="text-align:justify;">Em compensação, nutria pavorosas paixões platônicas, que eu mesmo chamava de paixonites; mas não as punha em prática simplesmente por preguiça. Nunca houve amor corrosivo que desse jeito na minha preguiça de titânio. Como todo rapaz da mesma idade, exercitava a minha libido por meio das revistas masculinas e da famosa punheta. Entretanto, vários dos meus colegas chegavam às vias de fato com alguma menina; estranhamente era sempre uma vizinha de algum parente que morava longe ou até mesmo em outros pontos do país. Fatos que ficavam somente de garganta.</p>
<p style="text-align:justify;">Entre as minhas duas paixonites mais graves, travei contato com Mirna, uma colega de classe. Dois anos com a mesma turma e poucas palavras trocáramos. Foi um grupo de Matemática que nos aproximou. A classe andava má de contas; o professor, um japonês já duma certa idade e que falava um pouco para dentro &#8211; o notório som de dentadura solta -, resolveu nos juntar em grupos aleatórios (“Se deixo vocês se juntarem, vocês se juntam nas panelas de conversa&#8230;”). Como ele conhecia a turma, pegou as pessoas mais díspares e que tinham menos contato e juntou-as em vários grupos. Eu caí com Mirna, Anderson (um japonês que tinha cara de máscara de teatro Nô) e Valéria, uma menina sardenta, sem graça e intrigueira. Da sala, era provavelmente uma das mais detestadas: pelas moças, porque era futriqueira; e pelos rapazes porque era magrela e chata.</p>
<p style="text-align:justify;">A única pessoa por quem eu nutria alguma simpatia ali era o Anderson, uma pessoa divertida; sobre Valéria, eu tinha a mesma opinião que o resto da sala, com o agravante de que, no primeiro ano do Ensino Médio, ela espalhou algum boato sobre a minha pessoa: as moças me viam e punham-se a rir pelos cantos. Mirna era a ilustre desconhecida: eu a via todos os dias, cumprimentava, mas ela não era de muitos amigos. Tinha a sua rodinha de amizades, à moda inglesa, e bastava; também não a via esquentando a cabeça por conta de namorados (como as outras várias); era serena, duma serenidade quase monstruosa para quem tem  apenas dezesseis anos.</p>
<p style="text-align:justify;">A função do grupo era discutir o que se dava em sala: o professor Hélio dava os tópicos, comentava, expunha exemplos. Dava-nos um tempo para discutirmos o tópico e seus desdobramentos entre o grupo e até entre grupos; depois, uma bateria de exercícios. Surtiu resultado a técnica. Na prova seguinte, o professor, exultante, disse que as provas, tirando uma exceção ou outra, melhoraram visivelmente. O sistema deu certo, o professor manteve os grupos.</p>
<p style="text-align:justify;">Íamos bem até nas relações pessoais: Anderson mostrara-se um potencial matemático. Era rápido nas deduções; não havia variável ou incógnita que lhe passasse desapercebida. Não só no meu grupo: alcançou uma fama em toda a sala. Volta e meia o professor chamava-o à lousa para resolver algum problema. O semblante tenso e o giz na mão e pronto! Estava resolvido algum monstro matemático, fosse equação com duas incógnitas, fosse u’a matriz complicada. Era gênio nato.</p>
<p style="text-align:justify;">Valéria deixou-se-me de parecer tão antipática. Passou a ser suportável e mostrou também alguma inclinação pela Matemática. Não como a de Anderson, mas o suficiente para sobreviver aos anos de colégio e, quiçá, ao vestibular.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu tentava virar-me. Sempre tive muita dificuldade para cálculos e cada equação era um esforço de mil gotas de suor. Não preciso de sauna ou exercícios físicos para suar. Dê-me uma equação e eu devolvo alguns litros.</p>
<p style="text-align:justify;">Mirna, discreta, tirava os números e suas relações de letra, sem brilhantismo, sem estardalhaço e acima da mera mendicância matemática. De nós quatro, era a mais calada. Só falava quando alguma dúvida alfinetava-a ou quando era consultada. Era sempre de sorrisos breves, nos quais nunca mostrava mais que metade dos dentes superiores. Para todos do grupo, era uma companhia agradável, mas ligeiramente refratária a tudo aquilo que fosse adentrar muito sua intimidade. Suas relações limitavam-se à conversa de amenidades; até sobre qual rapaz da sala achava mais bonitinho, ela desconversava e enfiava por outro assunto.</p>
<p style="text-align:justify;">Desse grupo sui generis saiu a força para que pudéssemos aguentar a Matemática sem que ela nos quebrasse as costelas.</p>
<p style="text-align:justify;">Estávamos perto do recesso de meio de ano. O segundo bimestre estava para fechar; sempre fui um aluno razoável. Somente duas disciplinas preocupavam-me: Matemática e Física. Posso dizer que meu pensamento abstrato não é dos melhores; sentia uma ponta de inveja do Anderson, mas o que eu compensava ajudando-o em História e Língua Portuguesa, matérias nas quais ele não ia lá muito bem. Eu estava saindo do prédio da escola e indo para o ponto de ônibus; morava um pouco longe e usava do coletivo. Caminhava pela rua, quando sinto um leve toque no meu ombro. Voltei-me já assustado. Ali era uma região de Curitiba não lá muito segura, muito embora, até aquele momento, não ocorrera nada.</p>
<p style="text-align:justify;">Qual surpresa não foi quando me virei e deparei-me com Mirna que, pela respiração, viera correndo; estava com os cabelos desgrenhados e o uniforme de tactel parecendo um balão de festa junina. Estranhei, mas me voltei: “Mirna? O que houve&#8230;? Parece cansada&#8230;”. Sabe o que é, Ricardo, eu preciso falar com você um instante&#8230;”. Mirna era a única pessoa da sala que não me chama de Rick como em casa e na própria escola.</p>
<p style="text-align:justify;">“É que eu queria alcançar você&#8230; você anda muito rápido&#8230;”, disse com um sorriso forçado.</p>
<p style="text-align:justify;">“Diga, Mirna, o que acontece?”.</p>
<p style="text-align:justify;">“Então, logo mais, como você bem sabe, temos a prova final do semestre, de Matemática&#8230;”.</p>
<p style="text-align:justify;">“Sim, eu sei&#8230;”; aquilo era realmente uma aguilhoada na consciência. Saíra da escola e tentava-me distrair para esquecer daquele monstrengo que era a prova de fim de semestre; vinha justamente Mirna para me lembrar. Enfadei-me e devo ter demonstrado algum enfado através do semblante, pois vi suas sobrancelhas arquearem. Ela hesitou alguns instantes enquanto estávamos ali, parados na calçada de uma rua de comércio popular, ouvindo arengas de vendedores e o barulho dos automóveis. Fiquei com vontade de responder um “E daí” ou, pelo menos um “E&#8230;?”, mas esperei que ela prosseguisse com a fala.</p>
<p style="text-align:justify;">Mirna não era bonita e nem exatamente feia. Hoje, lembro-me dela como ligeiramente parecida com a Rainha Elizabeth II quando novinha, quando ainda durante a Segunda guerra. O penteado e a cor do cabelo que me ficaram na mente contribuem para esse efeito.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois da longa hesitação e da crescente tensão que o silêncio estava acarretando, ela prosseguiu: “Então&#8230; é por conta da prova&#8230; precisava de uma ajuda sua&#8230;”. A mim? Eu mal me regia nas próprias pernas em Matemática. O sol da manhã estava começando a cozer-me a cabeça e, com o canto do olho, vi que meu ônibus se aproximava. “Amanhã cedo a gente conversa, Mirna; meu ônibus tá chegando&#8230;”. “Tá bom&#8230; tchau. até amanhã&#8230;”. Nem vi qual a reação dela, pois o tchau já ouvi quando estava longe, quase chegando no ponto. Virei-me e acenei. E a tempo, pois o ônibus estava parado no ponto. Da janela do coletivo ainda vi Mirna afastar-se na direção de onde viera; ela não mora longe da escola, mas para o outro lado.</p>
<p style="text-align:justify;">De resto, acomodei-me no banco e, pelo sol que escorria pelos vidros, deixei-me cochilar até perto de casa. Quando desci do ônibus, praticamente esquecera-me do caso e fui almoçar e estudar.</p>
<p style="text-align:justify;">A prova era no dia seguinte, nas aulas que se seguiam ao intervalo do meio da manhã. Eu tinha o costume de chegar à escola mais cedo, para evitar o trânsito e as aglomerações dos ônibus cheios. Era quase empre um dos primeiros a chegar, por volta das seis e vinte, seis e meia. Como tinha estudado o dia anterior inteiro, resolvi dar-me um tempo e tirei da mochila o walkman e busquei algumas fitas. Estava entretido com a música, quando vejo, diante de mim, Mirna. Tirei os fones e cumprimentei-a.</p>
<p style="text-align:justify;">“Tudo bem, Ricardo? E então, me dá uma mão para a prova&#8230;?”</p>
<p style="text-align:justify;">Vontade eu não tinha; didática é algo que desconheço, mas, fazer o quê?</p>
<p style="text-align:justify;">“Bem, quais são as suas dúvidas&#8230;?”, eu disse isso não sem uma certa insegurança. Certamente ela saberia mais do que eu&#8230; ou então, era algum ponto tão obscuro que eu sequer sonhava. Ela sentou-se ao meu lado no banco e abriu o caderno. Mostrou alguns pontos das equações que envolviam potenciação e radiciação. Nada demais; aliás, falar sobre aquilo me mostrou que eu estava apto para a prova. E assim ficamos até a hora da aula; Mirna sempre com o seu olhar real, seus gestos leves, seu sorriso de meio dente; exatamente como sempre.</p>
</div>
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	</item>
		<item>
		<title>Notícia de jornal em verso</title>
		<link>http://nomelevanto.wordpress.com/2011/01/15/noticia-de-jornal-em-verso/</link>
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		<pubDate>Sat, 15 Jan 2011 11:36:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rejewski</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Estes versinhos estavam no fundo do baú. devo tê-los escrito há uns bons dez anos. É besta, mas tem lá sua graça. Homem desonrado vai pra casa e é currado Ontem, na capital do Estado, ocorreu fato muito inusitado. Antônio &#8230; <a href="http://nomelevanto.wordpress.com/2011/01/15/noticia-de-jornal-em-verso/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=235&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Estes versinhos estavam no fundo do baú. devo tê-los escrito há uns bons dez anos. É besta, mas tem lá sua graça.</p>
<p><span style="font-size:small;"><span style="line-height:24px;"><strong>Homem desonrado </strong></span></span><span style="color:#444444;line-height:24px;font-size:small;"><strong>vai pra casa e é currado</strong></span></p>
<div>
<p>Ontem, na capital do Estado,<br />
ocorreu fato muito inusitado.<br />
Antônio João Carneiro,<br />
de profissão pedreiro,<br />
pegou sua mulher em flagrante<br />
mantendo intercurso com amante.<br />
Muito enfurecido<br />
saca a arma e dá um tiro.<br />
O amante, muito assustado,<br />
sai correndo, desbaratado.<br />
Carneiro, atrás dele corre,<br />
mas como estava de porre,<br />
tropeça e cai no chão.<br />
O amante, mui maganão,<br />
vê que Carneiro caiu,<br />
mas nem mesmo o acudiu,<br />
as calças lhe abaixou<br />
e ali mesmo, o currou.<br />
Diz o povo do costado<br />
que o amante era avantajado.<br />
Depois, Carneiro saiu andando<br />
e por onde anda, anda mancando.<br />
O amante, ignorado, fugiu;<br />
dizem que pode ter passado o rio,<br />
junto com a mulher do currado<br />
com o auxílio de um bote alugado.<br />
Prestou queixa Carneiro,<br />
mas virou troça do bairro inteiro.</p>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nomelevanto.wordpress.com/235/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nomelevanto.wordpress.com/235/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nomelevanto.wordpress.com/235/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nomelevanto.wordpress.com/235/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nomelevanto.wordpress.com/235/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nomelevanto.wordpress.com/235/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nomelevanto.wordpress.com/235/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nomelevanto.wordpress.com/235/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nomelevanto.wordpress.com/235/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nomelevanto.wordpress.com/235/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nomelevanto.wordpress.com/235/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nomelevanto.wordpress.com/235/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nomelevanto.wordpress.com/235/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nomelevanto.wordpress.com/235/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=235&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Louco com pouco</title>
		<link>http://nomelevanto.wordpress.com/2011/01/14/louco-com-pouco/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Jan 2011 01:55:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rejewski</dc:creator>
				<category><![CDATA[capitalismo selvagem]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[comida]]></category>
		<category><![CDATA[embustes]]></category>
		<category><![CDATA[empulhações]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia barata]]></category>
		<category><![CDATA[menefreguismo]]></category>
		<category><![CDATA[realidade]]></category>
		<category><![CDATA[reciclagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais um conselho para quem mora sozinho, longe da família. Acho que logo, junto esses conselhos e edito um livro. Mas tudo bem. O tópico de hoje é: estado alterado da consciência. Explico melhor: você trabalhou o dia todo como &#8230; <a href="http://nomelevanto.wordpress.com/2011/01/14/louco-com-pouco/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=230&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Mais um conselho para quem mora sozinho, longe da família. Acho que logo, junto esses conselhos e edito um livro. Mas tudo bem.</p>
<p style="text-align:justify;">O tópico de hoje é: estado alterado da consciência. Explico melhor: você trabalhou o dia todo como um boi no arado e, agora, no conforto e solidão do seu lar, você quer ficar um pouco louco. Você está acompanhado? Não tem problema, dá para ficar louco em dois também.</p>
<p style="text-align:justify;">Vocês sabem que mexer com drogas ilícitas é algo&#8230; ilícito. Não porque seja somente ilícito: é perigoso também. É tratar com gente perigosa que não é animador de festa infantil. Gente que anda armada e não custa nada o cara querer o seu cu em lugar de uma bala não disparada, ainda mais se você tiver cara de bobo.</p>
<p style="text-align:justify;">Então, a saída é ficar louco com o que se tem em casa ou pode ser obtido facilmente em mercados, padarias, lugares frequentados por gente mais confiável e que não quer comer o seu cu.</p>
<p style="text-align:justify;">Poderia citar os narcóticos caseiros que o povo inventa como o tal chá de fita (algém ainda tem fita cassete em casa?), mas há substâncias tóxicas nele. Afinal, queremos ficar loucos e não ir parar no pronto-socorro com algum tipo de envenenamento.</p>
<p style="text-align:justify;">O primeiro a ser feito é manter o estoque de cerveja em dia. Digamos que ela vai ser o &#8220;veículo&#8221;, como se diz em farmacêutica. A cerveja já deixa você mais relaxado, será o veículo para os outros nossos dois agentes principais: o tabaco.</p>
<p style="text-align:justify;">Exatamente. Tabaco. É possível ficar louco só com esse item. A cerveja pode ser substituída até por algo mais forte, como vodca, pinga, o que for do seu agrado.</p>
<p style="text-align:justify;">Só que não me venha com cigarrinho. Tem de ser algo mais <em>concentrado</em>. Recomenda-se ir a uma tabacaria, comprar um cachimbo e fumo para cachimbo. Há fumo das mais variadas marcas, inclusive alguns aromatizados. escolha o seu e ótimo. Não se esqueça de um isqueiro. Fósforo não é recomendável por dois motivos: você vai usar quase uma dezena deles (o cachimbo apaga-se com uma certa facilidade) e eles podem ficar acesos enquanto você pasma na loucura.</p>
<p style="text-align:justify;">Pegue seu arsenal e vá para casa.</p>
<p style="text-align:justify;">Lá chegando, ponha alguma música de seu agrado (eu particularmente fico com <em>Assim falou Zaratustra</em>, do Richard Strauss) e comece a beber. Uma duas latas de cerveja ou umas duas doses de vodca.</p>
<p style="text-align:justify;">Já devidamente alcoolizado, ponha um pouco de fumo no cachimbo e comece a pitar. Puxe bastante ar até a fumaça ficar &#8220;consistente&#8221;. Costuma demorar um pouco. Faça isso umas três vezes, alternando com a bebida.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando você tiver terminado, você vai ver o mundo de outra maneira. Em casa, na tranquilidade; se estiver bem acompanhado, é uma boa hora para o rala-e-rola, ou também para dormir.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nomelevanto.wordpress.com/230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nomelevanto.wordpress.com/230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nomelevanto.wordpress.com/230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nomelevanto.wordpress.com/230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nomelevanto.wordpress.com/230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nomelevanto.wordpress.com/230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nomelevanto.wordpress.com/230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nomelevanto.wordpress.com/230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nomelevanto.wordpress.com/230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nomelevanto.wordpress.com/230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nomelevanto.wordpress.com/230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nomelevanto.wordpress.com/230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nomelevanto.wordpress.com/230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nomelevanto.wordpress.com/230/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=230&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Dos relacionamentos familiares</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Dec 2010 12:36:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rejewski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mãe já era um assunto delicado e depois que Freud enfiou nele sua colher, ficou ainda pior. Saio um pouco da putanesca temática habitual deste blog por conta das reclamações de um querido amigo meu, do qual mantenho sigilo sobre &#8230; <a href="http://nomelevanto.wordpress.com/2010/12/22/dos-relacionamentos-familiares/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=227&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Mãe já era um assunto delicado e depois que Freud enfiou nele sua colher, ficou ainda pior.</p>
<p style="text-align:justify;">Saio um pouco da putanesca temática habitual deste <em>blog</em> por conta das reclamações de um querido amigo meu, do qual mantenho sigilo sobre o nome. É uma dessas micro-celebridades de Twitter, mas, mesmo assim, é gente boníssima.</p>
<p style="text-align:justify;">Esse meu amigo tem sérios problemas com a mãe, de quase absoluta incompatibilidade, que advêm de dois motivos: (1) não concordam em nada e (2) são assustadoramente parecidos.</p>
<p style="text-align:justify;">Por mais absurdo que possa parecer, as pessoas com quem mais brigamos, são as que têm a personalidade e o <em>modus operandi</em> mental mais próximo do nosso. Entre mãe e filho, a coisa pode ficar assustadora ao ponto de um poder prever o sentimento e a próxima ação dos outros, o que vai resultar em um profundo estado de tensão caso uma parte sobreponha-se à outra.</p>
<p style="text-align:justify;">Já me explico: analisemos o caso em tela. Meu querido amigo é um banana. Sim, desses que todo o mundo passa para trás, desses que pagam para não entrar em briga e se esforça sobreumanamente para estar em paz. Utopia. Consegue isso a duras penas e com graves remorsos; o mundo cobra das nossas aortas.</p>
<p style="text-align:justify;">E isso estende para o lar também. O que deveria ser o refúgio do homem, transforma-se na gaiola dos horrores. Com a intenção de apaziguar os ânimos, uma personalidade concessora acaba por anular-se. E quanto mais um se anula, mais o outro o usa como cavalo e, quando se percebe, é tarde para reverter a situação.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Que fazer, então?&#8221;, alguém deve estar a perguntar-se. O mais óbvio é zarpar. Claro que, se você tem u&#8217;a mãe controladora e rígida, isso pode ser um longo parto de quadrigêmeos. Choro, sangue e lágrimas advirão. Mas se deve sempre primar pela irredutibilidade. Mães controladoras são mestres na chantagem.</p>
<p style="text-align:justify;">E não digo isso por ser um filho desalmado, ao contrário. Mas é que toda separação mãe e filhos é dolorosa, mas chega um momento em que os pássaros se emplumam e têm de ir-se do ninho.</p>
<p style="text-align:justify;">Imagino que nossa vida urbana e sedentária aumentou sobremaneira o convívio de pais e filhos. Enquanto um está sob o teto paterno, é, obviamente tratado como filho&#8230; o que não cabe para um homem adulto. Por isso leiamos: horários controlados, rotina controlada, falta de privacidade&#8230; por mais liberal que os pais sejam, determinadas coisas ser-lhes-iam intoleráveis porque, afinal de contas, uma vez filho, sempre filho.</p>
<p style="text-align:justify;">O que resta, então? A saída a todo o custo. Vá morar com um amigo; vá morar sozinho, dê um jeito, mexa-se, ou a sua vida se transformará num inferno ainda maior.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nomelevanto.wordpress.com/227/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nomelevanto.wordpress.com/227/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nomelevanto.wordpress.com/227/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nomelevanto.wordpress.com/227/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nomelevanto.wordpress.com/227/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nomelevanto.wordpress.com/227/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nomelevanto.wordpress.com/227/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nomelevanto.wordpress.com/227/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nomelevanto.wordpress.com/227/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nomelevanto.wordpress.com/227/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nomelevanto.wordpress.com/227/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nomelevanto.wordpress.com/227/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nomelevanto.wordpress.com/227/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nomelevanto.wordpress.com/227/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=227&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Fumaça</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 23:12:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rejewski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há costumes que vêm de berço. Outros, adquirimos por mimetismo. Outros ainda, por conveniência. O que lhes relato, adquiri-o por conveniência e por convivência. Depois de alguns anos de amizade com Arlete, dividíamos tudo: tínhamos tanto de amantes eventuais quanto &#8230; <a href="http://nomelevanto.wordpress.com/2010/09/28/fumaca/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=224&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Há costumes que vêm de berço. Outros, adquirimos por mimetismo. Outros ainda, por conveniência. O que lhes relato, adquiri-o por conveniência e por convivência.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de alguns anos de amizade com Arlete, dividíamos tudo: tínhamos tanto de amantes eventuais quanto de esposos ou irmãos. Arlete perdera o ranço da misantropia e dividíamos quase tudo, do tálamo efêmero às cervejas.</p>
<p style="text-align:justify;">Arlete costumava ir ao banheiro de porta aberta. Começou como uma provocação e terminou num hábito. Ela tinha a pretensão de chocar-me, o que nunca aconteceu. Um reflexo involuntário da sua misantropia recolhida: queria que eu perdesse a paciência para que brigasse com ela ou a escorraçasse de casa. Havia um tempo já que eu tinha uma moral assaz maleável e nenhuma de suas provocações conseguia me tirar do sério: camisinhas usadas que apareciam pela casa, montanhas de livros de posições sexuais, pornografia escatológica em dvds piratas. Nada. Cabe dizer somente que os dvds ela não os via, mas os deixava espalhados em pontos estratégicos de ambos os apartamentos (o meu e o dela), justamente para que eu os visse. Não sabia onde ela os arrumava; os piratas que eu frequentava (ainda não eram muitos àquela altura) só tinham pornô hétero, de modo massivo, e um pouco de pornô <em>gay</em>. Escatologia era exclusividade achada por Arlete.</p>
<p style="text-align:justify;">Nada disso sendo eficaz, Arlete começou a ir ao sanitário de portas abertas. Não achava chocante, achava somente intrigante. No meu apartamento, também ia ao banheiro de porta aberta, mas quando estava sozinho. Arlete entrava no cômodo, desvencilhava-se do que estivesse cobrindo a parte de baixo, fosse calça jeans ou calcinhas sumárias, deixando ver suas pernas e nádegas de bailarina, e assentava-se grave sobre o vaso. No início, ela só urinava; vendo que eu, intrigado estava, porém não chocado, começou a defecar também de portas abertas.</p>
<p style="text-align:justify;">O que me irritava era o cheiro. Fato é que nem o cheiro dos nossos próprios dejetos são toleráveis, que dirá dos outros. Mesmo que seja a pessoa que divida cama com você. Toda vez que eu passava pela porta do banheiro e ela estava lá, na glória da evacuação, eu lhe dava uma olhadela furtiva e um sorrisinho. Várias vezes isso tendo ocorrido, certa feita, Arlete me vendo passar provocou: “Rick, não te dá um nojinho sabendo da sua rosquinha predileta nas suas atividades normais&#8230;?”. Não pude deixar de rir daquilo.</p>
<p style="text-align:justify;">“Uma coisa, flor”, disse eu, “é a sua rosquinha nas atividades normais. Outra é ela limpinha e cheirosa na hora do vamos-ver. Além do mais, não somos feitos à imagem e semelhança de Deus? Então, certamente Deus tem lá seus divinos dejetos&#8230; ou seja Ele homem ou mulher, deve fazer a sua limpeza, a sua chuca, para receber coisa menos fétidas&#8230;”. Foi a vez de Arlete chocar-se. Ficou boquiaberta. Prossegui: “O que mais me irrita nessa hora é o cheiro&#8230; se fosse bom, não fedia tanto. Garanto que você nunca viu nenhum daqueles filmes de escatologia que você compra e espalha por aí&#8230; gente comendo merda por prazer, ou então, gente que caga um na cara do outro&#8230; é pavoroso!”.</p>
<p style="text-align:justify;">Arlete, passado o efêmero estupor que lhe havia tomado a face, esticou ligeiramente o braço na direção em que estava a calça pendurada e sacou do bolso um maço de cigarros e o isqueiro. Acendeu um e tragou profundamente, soltando a fumaça devagar. Conforme ela foi fumando, o odor da fumaça juntou-se à emanação pútrida dos dejetos e o ar ficou com um leve odor de incenso. “Você já pode ser monja num mosteiro <em>hare krishna</em>, Arlete”, eu lhe disse, “em caso de falta de incenso, já tem substitutivo: ‘ah, que incenso é esse, meu amigo? É patchuli?’, pergunta um monge&#8230; e o outro responde: ‘não, irmão: é tabaco com merda&#8230;’, ha, ha, ha, ha!”.</p>
<p style="text-align:justify;">Nem Arlete aguentou e gargalhou: “Muito bem&#8230; então vá para lá que você, depois dessa, vai ganhar algo especial&#8230;”; fui para o quarto e esperei. Arlete não é muito adepta do sexo anal, mas sabia umas técnicas que eram suas e de mais ninguém. Além de ser o maior fetiche masculino, a cavidade é mais estreita que a vagina e aperta mais, trazendo um orgasmo explosivo.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois desse dia, só consigo ir ao banheiro para evacuar acompanhado do maço de cigarros. Tenho até mesmo um maço de cigarro e um isqueiro que ficam colocados atrás da coluna do lavatório.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nomelevanto.wordpress.com/224/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nomelevanto.wordpress.com/224/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nomelevanto.wordpress.com/224/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nomelevanto.wordpress.com/224/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nomelevanto.wordpress.com/224/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nomelevanto.wordpress.com/224/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nomelevanto.wordpress.com/224/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nomelevanto.wordpress.com/224/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nomelevanto.wordpress.com/224/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nomelevanto.wordpress.com/224/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nomelevanto.wordpress.com/224/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nomelevanto.wordpress.com/224/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nomelevanto.wordpress.com/224/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nomelevanto.wordpress.com/224/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=224&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pensamentos curtos</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Aug 2010 14:17:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rejewski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A densidade, a volumetria, o movimento. A máquina perfeita, mais perfeita de todo o Universo. A conjunção ideal, divina. A quebra da linha do pensamento, da consciência racional pelo pico de tensão proporcionado pelo orgasmo. CoPGr, 23 de agosto de &#8230; <a href="http://nomelevanto.wordpress.com/2010/08/23/pensamentos-curtos/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nomelevanto.wordpress.com&amp;blog=1334265&amp;post=219&amp;subd=nomelevanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">A densidade, a volumetria, o movimento. A máquina perfeita, mais perfeita de todo o Universo. A conjunção ideal, divina. A quebra da linha do pensamento, da consciência racional pelo pico de tensão proporcionado pelo orgasmo.</p>
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<p class="MsoNormal" style="margin-left:78pt;line-height:150%;"><span style="font-family:&amp;">CoPGr, 23 de agosto de 2010.</span></p>
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